<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493771</id><updated>2011-05-23T18:06:28.649-07:00</updated><title type='text'>PALESTINA LIVRE</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://palestina-livre.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493771/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palestina-livre.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>PALESTINA LIVRE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04864582520008271863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>7</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493771.post-116353599641288307</id><published>2006-11-14T12:19:00.000-08:00</published><updated>2006-11-14T12:26:36.436-08:00</updated><title type='text'>-- Palestina é razão para tensões internacionais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1078/3412/1600/20050124103347iraq_crowd-ap66sq.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1078/3412/320/20050124103347iraq_crowd-ap66sq.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fosso islão- -Ocidente não é causado pela religião&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Público 14NOV2006&lt;br /&gt;Conflito israelo--palestiniano é uma das causas, diz a Aliança das Civilizações&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;As principais causas do fosso entre islão e Ocidente não são nem a religião nem a história, mas desenvolvimentos recentes, e sobretudo o conflito israelo-palestiniano, afirma o grupo de trabalho encarregado de promover a Aliança de Civilizações num relatório ontem entregue ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan. O estudo poderá ser seguido de uma conferência internacional reunindo as partes envolvidas. O documento afirma que "a questão israelo-palestiniana tornou-se um símbolo-chave do fosso entre as sociedades ocidentais e muçulmanas e é uma das maiores ameaças para a estabilidade internacional". "A comunidade internacional deve procurar uma solução para o conflito israelo-palestiniano com sentido de urgência", diz o grupo, de duas dezenas de personalidades, que propõem a convocação, logo que possível, de uma "conferência internacional". Os signatários são, entre outros, o ex-Presidente iraniano Mohamad Khatami (m reformador) e o Prémio Nobel da Paz sul-africano Desmond Tutu, que defendem a redacção de um "livro branco" que analise a situação israelo-palestiniana de forma "objectiva". O relatório foi entregue a Kofi Annan e aos promotores da iniciativa, os chefes de governo espanhol, José Luis Rodrigues Zapatero, e turco, Recep Taiyyp Erdogan, pelos co-presidentes do grupo do trabalho, o espanhol Federico Mayor, antigo director da UNESCO, e o ministro de Estado de Ancara, Mehmet Aydin. "Preferiríamos pensar no conflito israelo-árabe como um conflito regional entre outros. Mas não é", disse o secretário-geral da ONU, citado pelas agências. "Enquanto os palestinianos viverem sob ocupação, expostos a frustrações e humilhações quotidianas, enquanto israelitas forem mortos por bombas em autocarros e discotecas, as paixões continuarão por todo o lado inflamadas", acrescentou. O documento critica ainda as operações militares ocidentais no Iraque e no Afeganistão, acções que "contribuem para o clima crescente de medo e animosidade", bem como para "interpretações deformadas dos ensinamentos islâmicos" no mundo muçulmano&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493771-116353599641288307?l=palestina-livre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palestina-livre.blogspot.com/feeds/116353599641288307/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493771&amp;postID=116353599641288307' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493771/posts/default/116353599641288307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493771/posts/default/116353599641288307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palestina-livre.blogspot.com/2006/11/palestina-razo-para-tenses.html' title='-- Palestina é razão para tensões internacionais'/><author><name>PALESTINA LIVRE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04864582520008271863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493771.post-116250584347993693</id><published>2006-11-02T14:14:00.000-08:00</published><updated>2006-11-02T14:30:56.320-08:00</updated><title type='text'>-- Palestina / Israel - Razões / Origens Históricas</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1078/3412/1600/Mundo%2004.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1078/3412/200/Mundo%2004.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; 23/10/2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Razões histórico-políticas de um conflito&lt;br /&gt;– Entrevista a José Goulão, jornalista –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isabel Carvalho&lt;br /&gt;&lt;a href="http://vozoperario.pt/jornal/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;amp;id=159&amp;Itemid=2"&gt;A Voz do Operário Jornal&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Diáspora do povo judeu é, de algum modo, a causa remota do conflito no Médio Oriente. Segundo a história, foi a partir da destruição do segundo templo em Jerusalém, em 70 a.C., pelos romanos, que o povo judeu iniciou a sua dispersão pelo Mundo e é desde então que mantiveram o objectivo nacional e messiânico de voltarem à “Terra Prometida”, lugar que acreditam ser seu. Porém, é de lembrar que os árabes conquistaram a Palestina em 637 da Era Cristã, misturando-se então com os habitantes originais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, durante séculos, o regresso dos judeus esteve adormecido até que no século XIX, mercê de nacionalismos na Europa Ocidental, renasceu a vontade de voltar, mas para criar um “Lar judeu” na Palestina. E, assim, com esta intenção, nascia o sionismo político idealizado e teorizado pelo jornalista judeu&amp;shy;‑austríaco Theodor Herzl.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava então dado o primeiro impulso de um processo que viria a conseguir a instituição de um Estado Judeu na Palestina, o que se concretizou em 1947, com o voto de dois terços dos membros da Organização das Nações Unidas (ONU). É pois sobre este processo, complexo, que aqui nos fala José Goulão, jornalista e um profundo conhecedor de um conflito real, que perdura...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Para começar, o que se dizia na teoria sionista?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na teoria sionista de Theodor Herzl, o regresso à Terra Prometida seria o de um povo sem terra, para uma terra sem povo. Isto assim visto, desconhecendo a realidade, parecia uma ideia extraordinária e calou fundo em muitos judeus que viviam tempos de pogroms (grandes perseguições aos judeus) no Leste da Europa. Mas, a Palestina tinha povo e fazia parte do Império Otomano há centenas de anos. Viviam aí árabes muçulmanos, árabes não muçulmanos e também judeus em perfeita harmonia. Aliás, judeus e árabes davam&amp;shy;‑se naturalmente, porque a origem é comum e, sendo povos, digamos, primos, não havia o antagonismo que depois veio a verificar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Esse depois passa pelo fim do Império Otomano...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo fim da Guerra 14/18, quando aqueles territórios ficaram sob a cobiça dos vencedores da guerra. Isto é, dos franceses e ingleses que decidiram dividir o Médio Oriente, como já tinham feito em África, consoante os seus interesses, que tinham já a ver com o que sabiam sobre as reservas petrolíferas e estratégias territoriais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Por falar em África, não houve a intenção de aí criar Israel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falou-se muito nisso, tal como se falou na Argentina e em Angola. Por duas vezes, em dois períodos históricos distintos, pensou-se na criação de um “lar judaico” em Angola. E essa formulação, “lar judaico”, está na origem de toda a confusão que veio a acontecer na Palestina. Mas a partilha dos territórios entre a Inglaterra e a França foi conseguida pelos ministros dos Negócios Estrangeiros de cada país, conhecido como o acordo Sykes&amp;shy;‑Picot. E, concretamente, aí também foi prometido um Estado aos Curdos, que está até hoje por resolver, sendo que a vida não é muito agradável para os que estão sob o domínio Turco e agora iraquiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Então, a partir desse acordo, a Palestina fica sob mandato inglês...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como o Líbano e a Síria ficaram sob mandato francês. Mandatos transitórios até que os povos, em teoria, tivessem condições para se governarem a si próprios. Portanto, tal como o Iraque, Síria e Líbano, assim a Palestina viria a ser independente. E, nesse acordo, não se punha sequer a hipótese de alterações demográficas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Só que os acontecimentos precipitaram-se?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. A conjugação dos pogroms na Europa com a subida de Hitler ao poder criou um facto novo: a fuga de judeus para onde não fossem discriminados e perseguidos. O que origina um movimento demográfico intenso para a Palestina. E, independentemente dos judeus e os árabes residentes se darem bem, a chegada de judeus europeus teve impactos... Claro que os judeus foram-se instalando, foram comprando terras e foram alterando a relação de forças. E é deste choque de culturas que começaram a nascer ressentimentos, uns por ambição de quem chegava, outros por privilégios e direitos de quem estava... chegámos assim a 1948, altura em que devia ser declarada a independência da Palestina. Mas a declaração do Estado da Palestina tal como estava prevista, exigia já outro tipo de medidas, até porque a tensão social era muito grande. Havia violência e os grupos judaicos militarizados, na altura chefiados por Isaac Shamir e Menachem Begin, praticavam actos terroristas,... que eles diziam de libertação e os árabes viam como atentados terroristas e de soberania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Havia então um problema no terreno...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia. E é então que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprova a resolução 181/47 de partilha da Palestina: dois estados, um de maioria branca, outro de maioria árabe, que os dirigentes judaicos aceitaram e os árabes, influenciados pelos regimes conservadores da Jordânia e do Egipto, rejeitaram, indo para a guerra. Israel, entretanto, proclama o seu Estado e os palestinianos não o reconhecem. A situação no terreno era instável pois os árabes continuavam legitimamente à procura de condições para criarem o seu Estado. Mas isso foi sendo adiado até que os palestinianos assumiram voz própria, com Yasser Arafat, em 1967, quando este assumiu a presidência da Organização de Libertação da Palestina (OLP).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Há solução para o Médio Oriente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha interpretação é que só se resolve o conflito com diálogo directo, cara-a-cara, entre israelitas e palestinianos e com o envolvimento das Nações Unidas. Mas de preferência sem intervenções directas e sem pressões, sobretudo dos Estados Unidos. É preciso depois que os interesses de uns não tornem reféns os interesses dos outros. Por exemplo, a água tem de ser para todos e não para uns administrarem e os outros comprarem ou nem sequer a terem. Portanto, com uma divisão harmónica dos recursos será viável a existência pacífica do Estado de Israel e a existência pacífica do Estado da Palestina. Mas um Estado palestiniano com os meios e com o território que lhes permita viverem tal qual os israelitas. Isto parece um pouco utópico atendendo à situação... mas não há outra forma. Desde 1967 até agora está visto que a solução militar não resulta. Não é possível a aniquilação de um povo pelo outro, nem é possível, utilizando as metáforas geográficas, atirar com os israelitas para o Mediterrâneo nem com os palestinianos para o deserto, embora haja quem pense isso na direita israelita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas há sectores que defendem que já existe um Estado palestiniano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É. O Estado da Jordânia, que tem uma maioria populacional palestiniana resultante da sua expulsão da Palestina. Mas, entretanto, entre os neoconservadores norte-americanos surgem teorias interessantes para a partilha do Iraque, onde se reservaria uma espécie de “lar para os palestinianos”. Parece realmente um delírio mas são teorias que estão escritas e que são compartilhadas com israelitas, como é o caso do ex-primeiro&amp;shy;‑ministro, Benjamin Netanyahu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Quando se criou Israel, havia uma aura romântica na sua criação…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia e foi compartilhada por correntes progressistas de todo Mundo, pois pensava-se que era possível criar o socialismo na Terra Prometida... os quibuts e as outras formas de organização social eram progressistas e contrastantes com o conservadorismo árabe, daí a criação do Estado de Israel ter sido apadrinhada pelas duas grandes potências da altura, os Estados Unidos e a União Soviética. Mas os povos têm direitos e não se pode trazer agora toda a questão territorial outra vez à superfície, criando uma espécie de caos, como defendem os neoconservadores, para daí nascer a nova realidade, repetindo-se um erro histórico. Neste momento, à margem desses delírios, existe uma realidade: os palestinianos têm de ter o seu Estado e a melhor forma de o conseguirem é dialogando directamente com Israel. Claro que a situação interna alterou-se. A gestão da OLP foi substituída pelo fundamentalismo religioso que hoje é maioritário, porque o processo de paz falhou. É preciso dizer que hoje os palestinianos, pelo menos a OLP assim o defendia, aceitam a criação de um Estado Palestiniano já apenas no território da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Leste, o que é um imenso recuo territorial em relação a 1948.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Há uma intenção expansionista de Israel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem diga que sim, pois alegam que Israel tem interesse em anexar a parte muçulmana do Líbano. Isto também parece um delírio, mas o Sul do Líbano tem recursos de água tal como os Montes Golan têm. Aliás, a água do rio Litani, uma fronteira natural no Líbano, nasce nos Montes Golan que estão ocupados por Israel. Estas situações são resolúveis, mas a verdade é que para o serem tem de haver partilha. E, desde o início, a partilha é o que está em causa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Neste quadro, qual o papel dos Estados Unidos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os interesses dos Estados Unidos são internos e externos. Internos porque a comunidade judaica que se revê em Israel prefere ficar nos EUA onde tem muito peso, nomeadamente nos órgãos de decisão: faz presidentes, desfaz presidentes se for preciso, tem um império mediático que é Hollywood, faz imagem e cria factos. Esta uma realidade interna importante, que deve ser sempre tida em conta. Depois há interesses estratégicos. Israel é de facto uma ponta de lança dos EUA em toda uma região, que não se sabe para onde caminha. Inclusivamente, apesar da ditadura da Arábia Saudita ser aliada dos EUA, estes estão sempre preocupados com o que lá acontece e, portanto, Israel é, digamos, um facto concreto e seguro para os EUA. Os EUA têm em Israel a absoluta confiança da defesa dos seus interesses. Além disso, permite-lhe fazer operações militares no Líbano sem envolvimento directo, como aconteceu. Portanto, os EUA estão sob cobertura de bandeiras internacionais no Iraque, no Afeganistão através da NATO, no Líbano e na Palestina através de Israel. São então sempre os mesmos interesses que estão por trás e a que se podem acrescentar interesses próprios de Israel, mas é sempre a somar, porque os seus interesses básicos estão salvaguardados. Pode-se perguntar como é que uma guerra civil salvaguarda interesses básicos. Mas com a guerra civil no Iraque ainda não deixou de correr petróleo. E, enquanto correr, a situação está tolerável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E a pressão sobre o Irão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Irão é uma realidade histórica muito mais antiga que a daqueles que dão lições de civilização. O Irão é um país de grande sabedoria, de grande cultura, com uma personalidade e uma civilização fortíssima que não são juncáveis por aqueles que têm 200 anos de uma falsa civilização, de uma civilização de plástico, naquilo que é visível e não naquilo que existe de cultura e civilização enraizada nos EUA, que não se reflecte no poder dominante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Irão é uma realidade no Médio Oriente anterior a todas estas realidades. Assim, o Irão é um país que lê a realidade regional e internacional com muita experiência e, ao que parece, para choque de toda a humanidade, estariam a construir a arma nuclear, porém, sem chocar toda a humanidade, Israel, a outra potência forte no Médio Oriente, tem armas nucleares. Logo, existe aqui, à partida, um desequilíbrio. E, sem reconhecer se há ou não um esforço do Irão para ter armas nucleares, a situação real é que Israel tem e é uma ameaça para o Irão, pois representa interesses imperialistas e expansionistas no Médio Oriente… Ou assumimos de cruz que Israel não ataca ninguém? Não é essa a realidade que existe no mundo. Assim, a posse de armas nucleares é, no mínimo, um factor dissuasor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E a Índia e o Egipto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom. À Índia teve de se lhe dar o direito de ter a sua arma nuclear, porque o Paquistão criou a sua através dos EUA. Toda a tecnologia e todo o financiamento dessas armas nucleares paquistanesas foram asseguradas pelos EUA, como é hoje comprovado em certos programas e até no programa 60 Minutos que, como se sabe, pratica censura... O certo é que ao criarem a bomba atómica do Paquistão, por arrastamento tiveram de tolerar a da Índia. E, agora, há realmente um problema do Irão para os EUA. Já para o Mundo, não existe problema Irão de espécie nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;xxxxxxxxxxxxxxx&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;José Goulão, nascido em 1950, é jornalista desde 1974. Integrou as redacções de vários jornais, nomeadamente, da Capital, O diário, Diário Económico, Valor, Vida Mundial e de outros órgãos de comunicação social onde dedicou, em geral, as suas prosas a assuntos internacionais. Foram, porém, as suas análises sobre o Médio Oriente, nas televisões e na rádio, que o projectaram como especialista. Uma classificação a que foge ao traçar o seu perfil da seguinte forma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«José Goulão é um jornalista que foi um dia para Beirute, para a guerra de 1982, e ficou completamente fascinado pela problemática do Médio Oriente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um jornalista que quanto mais aprofunda o conhecimento sobre essa área menos sabe sobre ela, porque a riqueza cultural, civilizacional e o que está em causa naquela região é de tal modo arrebatadora que ultrapassa o fascínio... e é tão complexa, que é inimiga de quem se acha senhor da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, em relação àquela região, eu jornalista, não tenho nem a verdade, nem o conhecimento, nem o preconceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que conheço o que lá se passa, mas não tenho a veleidade de conhecer o Médio Oriente.»&lt;br /&gt;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493771-116250584347993693?l=palestina-livre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palestina-livre.blogspot.com/feeds/116250584347993693/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493771&amp;postID=116250584347993693' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493771/posts/default/116250584347993693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493771/posts/default/116250584347993693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palestina-livre.blogspot.com/2006/11/palestina-israel-razes-origens.html' title='-- Palestina / Israel - Razões / Origens Históricas'/><author><name>PALESTINA LIVRE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04864582520008271863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493771.post-115357282946138911</id><published>2006-07-22T05:46:00.000-07:00</published><updated>2006-07-22T06:59:52.216-07:00</updated><title type='text'>-- MAPAS DA PALESTINA</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1078/3412/1600/Palestina%20mapa%20de%20Le%20Monde%20Diplomatique.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1078/3412/400/Palestina%20mapa%20de%20Le%20Monde%20Diplomatique.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Conhecer os mapas da Palestina em especial da ocupação por Israel é um instrumento fundamental para dominar um assunto tão complexo como este.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderá consultar diversos mapas no sítio do jornal Le Monde Diplomatique cujo endereço se indica aqui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.monde-diplomatique.fr/cartes"&gt;http://www.monde-diplomatique.fr/cartes&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ver melhor este mapa tem de consultar o Le M. Diplomatique na parte reletiva a PROCHE ORIENT.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um livro da editora  Selecções Reader's Digest sobre história do século XX tem mapas mais esclarecedores que este.&lt;br /&gt;Logo que possível serão colocados aqui os mapas das Selecções.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493771-115357282946138911?l=palestina-livre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palestina-livre.blogspot.com/feeds/115357282946138911/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493771&amp;postID=115357282946138911' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493771/posts/default/115357282946138911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493771/posts/default/115357282946138911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palestina-livre.blogspot.com/2006/07/mapas-da-palestina.html' title='-- MAPAS DA PALESTINA'/><author><name>PALESTINA LIVRE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04864582520008271863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493771.post-115356768941271249</id><published>2006-07-22T04:59:00.000-07:00</published><updated>2006-07-22T07:04:15.980-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1078/3412/1600/edward_said_1936_2003.gif"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1078/3412/320/edward_said_1936_2003.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;--Intifada de 2000: a revolta palestiniana&lt;br /&gt;entrevista de Edward Said a David Barsamian &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://resistir.info/palestina/intifada_said.html#asterisco#asterisco"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[*]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Na sua obra e nas suas conferências sobre o conflito israelo-palestiniano, refere-se constantemente ao papel fulcral de 1948. O que é que as pessoas deveriam saber acerca de 1948? &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Não me parece que se possa compreender o que se passa actualmente, ou a situação dos palestinianos sem se compreender o que se passou em 1948&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Uma sociedade existente na Palestina, essencialmente composta de árabes, foi desenraizada e destruída. &lt;span style="color:#6633ff;"&gt;&lt;strong&gt;Uma população árabe de oitocentas mil pessoas foi premeditadamente expulsa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Os arquivos sionistas são bastante inequívocos a este respeito, e há vários historiadores israelenses que escreveram sobre o assunto. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://resistir.info/palestina/intifada_said.html#notas#notas"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Claro que os árabes sempre o afirmaram. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#6633ff;"&gt;No final do conflito, em 1948, os palestinianos eram uma minoria no seu próprio país. Dois terços tinham-se tomado refugiados&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, cujos descendentes actuais são cerca de sete milhões e meio de pessoas espalhadas pelo mundo árabe, Europa, Austrália e América do Norte. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://resistir.info/palestina/intifada_said.html#notas#notas"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; O que restava da população ficou sob a ocupação militar israelense a partir de 1967, quando a Margem Ocidental e a Faixa de Gaza, bem como Jerusalém Oriental, foram tomadas e ocupadas. 1948, para os palestinianos, é a data do início da sua busca da autodeterminação. A luta não começa em 1967. Esse ano foi apenas a data em que a conquista israelense se completou. Durante o ano de 1948, quase todo o território da Palestina, cerca de 94%, foi ocupado militarmente pelo Estado de Israel e convertida em terras para o povo judeu, o que significou que os árabes que ficaram, e que são agora cerca de 20% da população, não têm o direito de possuir terras. A maior parte do território de Israel é controlada pelo Estado em benefício dos judeus. Em segundo lugar, &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#6633ff;"&gt;mais de quatrocentas aldeias árabes foram destruídas e seguidamente reinstaladas, por assim dizer, por colonos israelenses que construíram os kibbutzim&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Não há um kibbutz em Israel que não se tenha construído sobre as terras árabes. Portanto, a ferida pútrida de 1948 continua aberta, ao mesmo tempo que Israel vai afirmando, desde essa data, que não tem qualquer responsabilidade no que aconteceu aos palestinianos, que eles se foram embora porque foi isso que os seus líderes lhes disseram que fizessem. Foram utilizados todos os tipos de propaganda. Até hoje, definiu-se assim um consenso generalizado afirmando que os palestinianos não foram expulsos pelos israelenses. Em segundo lugar, nunca houve qualquer tentativa por parte dos israelenses, nem mesmo nestas últimas conversações de Julho em Camp David, de pôr a hipótese do direito de retorno, a exigência central de qualquer palestiniano: ver que lhe é permitido voltar ao local de onde ele ou ela foi expulso em 1948. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://resistir.info/palestina/intifada_said.html#notas#notas"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Esse é o ponto fulcral de todo o problema. Falemos agora um pouco sobre a forma global do discurso público. Comecemos pelo "processo de paz". O processo de paz começou em 1993, quando foi celebrado um acordo secreto entre a OLP e o Governo israelense para encetar negociações cujo resultado fosse a concessão de algum território e autoridade na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza aos palestinianos e à OLP sob a égide de Yasser Arafat. No entanto, dada a tremenda disparidade de poder entre israelenses e palestinianos, o processo de paz tem sido, efectivamente, uma versão reformulada da ocupação israelense. Agora mesmo, enquanto estamos aqui a falar, em Novembro de 2000, Israel continua a controlar 60% da Margem Ocidental e 40% da Faixa de Gaza. Anexou Jerusalém e encheu os territórios de colonatos. Se incluirmos os que, estão em Jerusalém, há cerca de quatrocentos mil israelenses que ocupam ilegalmente o território. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://resistir.info/palestina/intifada_said.html#notas#notas"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Trata-se de uma ocupação ilegal que é a mais prolongada que conhecemos do século XX para o XXI, tendo a mais longa ocupação anterior sido a da Coreia pelo Japão, entre 1920 e 1945. A nossa ocupação dura, portanto, há trinta e três anos, e configura um verdadeiro recorde. O processo de paz, na sua essência, tem consistido simples- mente na participação da liderança palestiniana na aprovação dos termos ditados pelos israelenses. Houve uma ligeira reorganização das forças militares israelenses. Os colonatos continuam. Jerusalém continua sob a soberania israelense, ocupada por israelenses. As fronteiras e a água a são controladas por Israel. As saídas e entradas são controladas por Israel. A segurança é controlada por Israel. O que os americanos e os israelenses quiseram fazer foi obter o consentimento palestiniano nesta operação de cosmética da ocupação. Apresenta-se o processo ao público como se fosse uma caminhada para a paz, quando na realidade se trata de uma fraude gigantesca. Só isto basta para explicar a extensão e a profundidade da rebelião palestiniana, que se declarou no dia 29 de Setembro de 2000. E o termo "defesa", o que pensa dele? Sim, evidentemente, o exército israelense tem o nome de Forças Defensivas Israelenses. A ideia que se quer fazer passar é a de que se trata de um exército defensivo. Assim, de maneira absolutamente enganadora, a comunicação social apresenta as forças israelenses como se estivessem a defender Israel dos palestinianos, que se limitam a atirar pedras. Ora isto tem um sabor quase orwelliano. Os palestinianos estão, para todos os efeitos desprovidos de armas, excepto algumas armas de má capacidade confiadas à polícia. A luta tem sido travada entre uma população de jovens que atiram pedras e os mísseis, aviões a jacto, helicópteros militares, tanques e granadas autopropulsionadas do campo contrário. E a questão mais importante é que todos os combates e ataques se têm desenrolado no interior dos territórios palestinianos. Portanto, usar a palavra 'defesa' é uma falsificação grotesca. Estamos perante uma força de ocupação no interior dos territórios palestinianos. Os palestinianos estão a resistir à ocupação militar e os israelenses estão a prolongar a ocupação e - como sempre fizeram todos os exércitos colonizadores, fosse na Argélia, no Vietname ou na Índia - obrigam a população civil a pagar muito caro a sua resistência. E quanto ao terrorismo? É um meio de luta muito desagradável, como acontecia já nos anos 20, quando os sionistas introduziram, na prática, o terrorismo na Palestina. Nos anos 20, foi uma das técnicas de guerra habituais dos primeiros grupos de extremistas sionistas, que punham bombas nos mercados árabes para aterrorizar toda a povoação. Seguiu-se uma escalada durante os anos 30 e 40, período em que os sionistas usaram o terrorismo contra a Grã-Bretanha para apressar a sua retirada da Palestina, retirada que, como se sabe, veio a ter lugar em 1948. Desde essa época, tem havido terrorismo de ambos os lados. Em todos os casos, é preciso não esquecer que, apesar da horrível perda de vidas -- e não há nada que possa justificar ou reparar as vidas inocentes que se perderam --, tem havido uma forte preponderância de baixas do lado palestiniano. Se examinarmos, por exemplo, os números das últimas seis semanas, temos 180 palestinianos mortos contra 14 israelenses. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://resistir.info/palestina/intifada_said.html#notas#notas"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; O que nos dá uma primeira noção da diferença. Oito dos israelenses eram soldados. Os palestinianos mortos eram todos civis. Neste contexto, o terrorismo tem sido, na perspectiva dos palestinianos, a arma dos fracos e dos oprimidos. Tem sido muito limitado e esporádico, mas apregoado e exagerado até atingir proporções grotescas por parte dos, israelenses, que tentam sempre apresentar-se a si próprios como vítimas, não obstante o facto de, neste conflito, as vítimas não serem propriamente eles. São, pelo contrário, os opressores, os agentes da agressão contra os palestinianos. E que dizer das referências frequentes aos Estados Unidos como potência mediadora, imparcial e honesta? Israel é o único Estado do mundo a receber auxílio económico e militar dos Estados Unidos em quantias que perfazem hoje um total de cerca de 135 mil milhões de dólares actuais. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://resistir.info/palestina/intifada_said.html#notas#notas"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Todas as figuras políticas americanas de algum relevo, concorram a um lugar de representantes de um pequeno distrito no Norte do estado de Nova Iorque ou entendam candidatar-se à presidência, têm de se declarar apoiantes incondicionais de Israel. As declarações no Congresso, sejam do Senado ou da Assembleia de Representantes, resultam automaticamente em maiorias esmagadoras a favor das políticas israelenses, devido ao poder do lobby israelense e devido ao facto de haver uma comunidade de apoiantes de Israel com grande experiência nas lides políticas e com um posicionamento estratégico muito bem conseguido. As políticas praticadas pelos Estados Unidos em relação a Israel têm-se centrado na defesa e no apoio a Israel em todas as suas acções. Os Estados Unidos vetaram resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas de modo a evitarem uma condenação de Israel em casos que correspondem a violações flagrantes do Direito Internacional, que vão da tortura e do uso de helicópteros e mísseis contra civis às ocupações e anexações ilegais. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://resistir.info/palestina/intifada_said.html#notas#notas"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Assim, afirmar que os Estados Unidos são um mediador imparcial é absolutamente ridículo. Os Estados Unidos estão firmemente colocados do lado israelense. Toda a informação que temos sobre as negociações nos últimos sete anos do processo de paz demonstra que a América adopta sempre o ponto de vista israelense e continua a defender Israel. É preciso notar ainda, a este propósito, que a maioria dos representantes oficiais envolvidos no processo de paz, a começar por Oennis Ross, Martin Indyk e Aaron Oavid Miller, foram anteriormente membros remunerados ou apoiantes de longa data dos grupos de pressão pró-israelenses. O semanário conservador inglês The Economist publicou um texto que observa que “a nova Intifada palestiniana está a assumir rapidamente os contornos de uma rebelião anticolonial". &lt;/span&gt;&lt;a href="http://resistir.info/palestina/intifada_said.html#notas#notas"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Esta poderá ter sido a primeira vez que a expressão é utilizada numa revista de grande projecção. Penso que já antes tinha havido uma rebelião anti-colonial, durante a primeira Intifada, que ocorreu em 1987 e que foi travada por Arafat em 1993. É seguramente de uma rebelião anti-colonial que se trata agora. A ocupação da Faixa de Gaza e da Margem Ocidental por colonos, colonatos e estradas, a constante expropriação de terras palestinianas, a destruição de searas e olivais para dar lugar à construção de novas vias de circulação, o reordenamento geográfico tendente a permitir um maior controlo israelense, todas estas políticas -- apesar da amnésia dos órgãos de comunicação americanos -- seguem o modelo de todos os colonialismos clássicos. Isto é, são políticas que visam assegurar a manutenção da subordinação dos oprimidos e subjugados, a bem do lucro, e por vezes do capricho, dos ocupantes. Portanto, o que aconteceu nestas últimas seis ou sete semanas foi uma rebelião contra todo esse processo, incluindo o processo de paz, que é, como afirmei, uma reorganização da ocupação, que simplifica a ocupação para os israelenses, que assim não são obrigados a usar tantos militares na sua manutenção, além de se servirem em muitas ocasiões de palestinianos em lugar dos israelenses para policiar as pessoas. É nesta lógica que se integra o processo de paz. Ironicamente, parte considerável das tarefas que garantem a segurança israelense tem sido confiada a polícias palestinianos, que são assim obrigados a reprimir aqueles que são hoje manifestantes anticoloniais. Esta conflagração, esta enorme perda de vidas, apenas pôde surgir em resultado de uma política de ocupação que destruiu pura e simplesmente a vida das pessoas, para as quais a única alternativa que resta é saírem para as ruas e corajosamente, dirão alguns, sem pensarem nas consequências, atirarem pedras contra os tanques. Sem medo. Lembramo-nos da Praça de Tianammen há poucos anos ainda, das manifestações públicas e do coro de aprovação, de apoio e admiração que se ouviram por todo o mundo celebrando a juventude chinesa que enfrentou os carros blindados. O mesmo não se passou aqui. Os órgãos de comunicação social são tão esmagadoramente pró-israelenses que as pessoas comuns não têm hipótese de dar voz ao seu apoio àquilo que é, para todos os efeitos, uma tentativa corajosa de revolta contra uma ocupação militar de tipo colonial. Tem salientado o facto de faltarem os mapas neste conflito, que será o mais geográfico dos conflitos. Porque são os mapas tão importantes? Em primeiro lugar, a Palestina, no total da sua área, é bastante pequena. Este conflito dura há já cinquenta anos. Dada a brevíssima capacidade de atenção dos telespectadores ou leitores de jornais de tipo corrente, a consciência que o público tem da história ou da topografia geográfica dos acontecimentos é muito escassa. Há muita gente que diz: lá estão os árabes e os judeus outra vez, e passa a ideia de que são populações equivalentes e de que uma delas, os judeus, é o alvo e a vítima. Os árabes são os que atacam e ameaçam. E, evidentemente, as memórias do Holocausto, e de todos os horrores do anti-semitismo continuam a pairar sobre a questão. Mas o que aconteceu na realidade foi que 1948 e a fundação do Estado de Israel significaram, para todos os palestinianos, a perda de cerca de 78% da Palestina histórica, que era árabe e se tomou israelense. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://resistir.info/palestina/intifada_said.html#notas#notas"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;[9]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Este aspecto já foi reconhecido. A Margem Ocidental e a Faixa de Gaza juntas constituem cerca de 22% da Palestina histórica, e é esse território que é hoje disputado. Os palestinianos não estão a lutar pelos 78% que já perderam. Estão a lutar pelos 22% que lhes restam. Destes 22%, os israelenses detêm ainda o controlo de cerca de 60% da Margem Ocidental e 40% da Faixa de Gaza. Portanto, se alguma vez viesse a existir um Estado palestiniano, nunca seria um território contínuo. Estaria todo partido em pequenos fragmentos, sob o controlo das vias de acesso que os israelenses construíram e que rodeiam agora cada uma das zonas palestinianas, fazendo com que os palestinianos estejam hoje cercados dentro do seu pequeno território. Os israelenses criaram condições no terreno que impedem os palestinianos de transitar de uma área para a outra, de norte. para sul, de leste para oeste. A zona a que se chama a "Grande Jerusalém", que constitui cerca de 4% do território, foi anexada por Israel, e os israelenses não fazem a menor tenção de a devolver. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://resistir.info/palestina/intifada_said.html#notas#notas"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;[10]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; A ideia é manter toda a área completamente controlada por Israel, à excepção dos serviços municipais e de questões como a saúde, todo esse tipo de questões problemáticas que têm a ver com os cidadãos e que os israelenses querem passar para as mãos da Autoridade Palestiniana. A segurança e as fronteiras são controladas por Israel. Mesmo hoje, Yasser Arafat não pode entrar e sair da Faixa de Gaza sem que Israel o autorize, e os israelenses têm poderes para encerrar o aeroporto, ou podem mesmo destruí-lo completamente, como já o fizeram de resto, e fechar o território de modo a imobilizar dentro dele todas as pessoas que o habitam. Na verdade, as pessoas estão a ser estranguladas até à morte. Tal é o resultado do processo de paz. Não se trata do resultado da guerra. É parte do desastre que foi o acordo entre as lideranças israelense e palestiniana, sob a égide dos Estados Unidos; e tal é a razão do fracasso. Aonde vai buscar os dados que usa? Ao Report on Israeli Settlement in the Occupied Territories, que é um relatório mensal, publicado em Washington. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://resistir.info/palestina/intifada_said.html#notas#notas"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;[11]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; O editor é Geoffrey Aronson. É publicado pela Fundação para a Paz no Médio Oriente. É a fonte mais fiável e completa, que recolhe dados israelenses, palestinianos e de agências internacionais sobre os índices de construção de colonatos, a manutenção de colonatos, a criação de novos colonatos, a destruição de propriedade e o aumento do número dos colonos. Noam Chomsky, Alexander Cockburn, Robert Fiske outros críticos da política de colonização israelense usam o termo "Bantustão" para a descrever. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://resistir.info/palestina/intifada_said.html#notas#notas"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;[12]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; É uma política que de algum modo sugere a repetição. Vem da história do colonialismo do século XIX. Os franceses fizeram-no na Argélia. Encontravam áreas com nativos dóceis que podiam ser postos nas aldeias sob a chefia de nativos designados. Os britânicos fizeram o mesmo na África Ocidental; sob a política a que se chamava "governo indirecto", procuravam certas pessoas nativas que dominassem os nativos mais problemáticos -- enquanto eles, como potência ocupante, detinham a verdadeira autoridade. Na África do Sul, a ideia era pôr os negros em reservas ou acantonamentos onde pudessem ter alguns dos atributos da soberania, mas nenhum dos importantes. Não lhes era permitido controlar a terra. A água não era controlada por eles. As entradas e saídas eram controladas pelos brancos. O padrão aqui é exactamente o mesmo. Estas pequenas zonas palestinianas, que são pequenas e divididas, são os centros da população palestiniana, mas são o equivalente das reservas onde alguém como Arafat poderia ter a ideia, ou convencer-se a si mesmo, de que é ele que lidera, mas a verdade é que as rédeas estão nas mãos do ocupante colonial. Nova York, 09/Nov/2000 &lt;/span&gt;&lt;a name="notas"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Notas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; 1- Vide, entre outros: Benny Morris - The Birth of the Palestinian Refugee Problem, 1947-1951, Cambridge University Press, Cambridge, 1989. 2- Para tabelas e estatísticas completas sobre os refugiados palestinianos, veja-se a página e relatórios da Agência das Nações Unidas para o Auxílio e Trabalhos para os Refugiados Palestinianos no Próximo Oriente (UNRW A): &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.un.org/unrwa/" target="_new"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.un.org/unrwa/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; . 3- Vide Naseer Aruri, ed. - Palestinian Refugees; The right of Return, Pluto Books, Londres, 2001. 4- Para obter dados detalhados sobre os colonatos, ver sítio da Foundation for Middle East Peace (Fundação para a Paz no Médio Oriente - FMEP) e o seu boletim The Report on Israeli Settlement in the Occupied Territories, que está disponível em &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.frnep.%20org/" target="_new"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.frnep. org/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; . 5- Para obter dados detalhados sobre os feridos e os mortos na Intifada de Al-Aqsa, vejam-se os sítios do B'Tselem (o Centro de Informação Israelense para os Direitos Humanos nos Territórios Ocupados) e da Sociedade Palestiniana do Crescente Vermelho em, respectivamente, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.btselem.org/English/Statistics/Al_Aqsa_Fatalities_Tables.asp" target="_new"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.btselem.org/English/Statistics/Al_Aqsa_Fatalities_Tables.asp&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.palestinercs.org/crisistables/oct_2000_table.htm" target="_new"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http://www.palestinercs.org/crisistables/oct_2000_table.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; . 6- David R. Francis - "Economist tallies swelling cost of Israel to US", Christian Science Monitor, 9 de Dezembro de 2002, p. 16. Auxílio oficial dos EUA calculado em dólares de 2001. 7- Vide Stephen Zunes - "UN resolutions being violated by countries other than Iraq", Foreign Policy in Focus, 3 de Outubro, 2002. Disponível na Internet em &lt;/span&gt;&lt;a href="http://%20/www.pfif.org/" target="_new"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http:/ /www.pfif.org/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; . 8- "The spreading of Palestine's war", The Economist, edição americana, 28 de Outubro de 2000. 9- Vide Samih K. Farsoun e Christina E. Zachariah - Palestine and the Palestinians, Westview Press, Boulder, Colorado, 1997, pp. 123-25. 10- Vide Sociedade Académica Palestiniana para o Estudo dos Assuntos Internacionais (PASSIA), The Palestine Question in Maps: 1878-2000, PASSIA, Jerusalém, 2002, mapas 40-48, pp. 110-27. 11- Consulte o sítio da Foundation for Middle East Peace: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://%20/www.fmep.%20org/reports/" target="_new"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;http:/ /www.fmep. org/reports/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; . 12- Vide, entre outras fontes, Norman Finkelstein - lmage and Rea/ity of the Israe/Palestine Conflict, edição actualizada, Verso, Nova Iorque, 2003; e Noam Chomsky - Middle East Illusions, Rowman and Littlefield, Boulder, 2003. &lt;/span&gt;&lt;a name="asterisco"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;[*]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Entrevista extraída do livro «Cultura e Resistencia», de David Barsamian, ed. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.campo-letras.pt/" target="_new"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Campo das Letras&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; , Porto, 2004. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493771-115356768941271249?l=palestina-livre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palestina-livre.blogspot.com/feeds/115356768941271249/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493771&amp;postID=115356768941271249' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493771/posts/default/115356768941271249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493771/posts/default/115356768941271249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palestina-livre.blogspot.com/2006/07/intifada-de-2000-revolta-palestiniana.html' title=''/><author><name>PALESTINA LIVRE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04864582520008271863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493771.post-115356935236493616</id><published>2006-07-22T04:54:00.000-07:00</published><updated>2006-07-22T06:38:25.933-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;-- "Enquanto Israel for um Estado judaico não é possível falar de igualdade"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A discriminação dos árabes dentro de Israel agravou-se, diz o deputado e filósofo Azmi Bishara. Menos fundos, menos projectos, mais desemprego. Em tempos de crise, o Estado judaico lidará sempre com eles como se fossem inimigos e não cidadãos. Por Alexandra Lucas Coelho, Jerusalém&lt;br /&gt;Quase um quinto dos cidadãos de Israel - mais de um milhão - são árabes. Os palestinianos que ficaram em 1948, quando o Estado judaico foi criado. Azmi Bishara é o seu rosto mais conhecido. Líder do partido Balad, deputado no Knesset (Parlamento), doutorado em filosofia na Alemanha, colunista regular da imprensa árabe e internacional. Azmi Bishara, 49 anos, nascido em Nazaré, defende que a raiz da discriminação está na definição de Israel como Estado judaico.Como se define como cidadão? Quando tenho que preencher um formulário em que me perguntam o Estado, escrevo Israel. Em termos de identidade nacional sou um palestiniano árabe. Quais são as palavras do juramento que tem que fazer como deputado do Knesset?As palavras são ditas por alguém e nós só temos que dizer: "Juro." É algo como: "Jura lealdade ao Estado de Israel e às suas leis?"E o que significa isso para isso? A que tem de ser leal?Acredito que a lealdade ao Estado é a lealdade às leis. A lealdade ao Estado, em si, como entidade, é uma ideia fascista. Somos leais a valores humanos, a amizades, a sociedades, não a Estados. Mas o dever de não infringir as leis é algo mínimo a que um membro do Parlamento está obrigado. Desde que possamos lutar contra as leis. A minha lealdade às leis do Estado não inclui o meu direito a estar contra leis que me parecem injustas. Estarei contra qualquer lei que descrimine os árabes, que anexe terra árabe, que use o Estado como uma ferramenta para beneficiar os judeus, como a Lei de Retorno [que permite a qualquer judeu do mundo vir para Israel, tornando-se automaticamente cidadão]. Digo explicitamente que estou contra ela.O seu compromisso é com a regra da lei.Sim, na atitude. Não vou pegar em armas contra o Estado. Vou lutar legalmente contra determinadas leis. Entra-se no Parlamento para trabalho político e não para luta armada. No começo da segunda Intifada, em 2000, muitos árabes israelitas protestaram contra Israel, 13 foram mortos a tiro, num processo que ainda hoje é uma ferida, sem qualquer polícia ter sido incriminado. Agora em Nazaré é difícil encontrar quem não se defina como palestiniano. Esta Intifada marca uma mudança, fez mais gente definir-se como palestiniana?Em todo o mundo, as pessoas mudam a expressão da sua identidade. Pergunte-se aos americanos, antes e depois do 11 de Setembro. Em Israel, em fases diferentes do país, houve acentuações distintas entre israelita judeu, judeu israelita, o que vem antes, etc. Da mesma forma, há altos e baixos na componente palestiniana da identidade nacional, mas ela nunca desaparece. A componente israelita existe no estatuto cívico das pessoas. Quando esse estatuto é sublinhado, quando há mais ilusões em relação aos direitos civis no país, a componente israelita aumenta na identidade. Mas há factos históricos e elementos de que as pessoas não se libertam. Por exemplo, o facto de os seus pais, os seus avós serem palestinianos. É um facto. Antes de 1948 não havia Israel. Este estatuto cívico israelita é novo. De onde veio? Da Naqba [a Catástrofe, quando centenas de milhares de palestinianos fugiram ou foram expulsos das suas casas]. De os árabes, que eram a maioria [na Palestina histórica], se terem tornado a minoria [em Israel]. Então a questão da identidade fica em aberto: quem são eles?, o que são eles?Penso que essa questão está directamente ligada à questão palestiniana. É por haver a questão palestiniana que há uma minoria árabe em Israel - a maioria passou a ser de refugiados. A ideologia oficial do país dizia que não havia povo palestiniano. E a tendência foi para os definir em religiões, em tribos.É isso que ainda acontece oficialmente: os árabes israelitas são divididos em muçulmanos, cristãos, drusos, etc. Não é mencionado o termo palestiniano.Claro que não. Chamam-lhes minorias, e não minoria. São cidadãos do Estado de Israel. Se Israel tendesse a tornar a cidadania em identidade era mais fácil. Eram israelitas. Mas para Israel não há israelitas, há judeus ou não judeus. A afinidade, o que distingue, é ser-se judeu, mesmo que não se seja israelita. O colectivo sobre o qual o país está construído é o judeu. Em Portugal é o português, em França é o francês, em Israel é o judeu, não israelita.Isto é fundamental porque abre a questão da crise de identidade.Agora, em momentos de confronto há de facto um aumento na consciência nacional dos palestinianos. Na primeira Intifada houve um aumento, e depois um declínio por volta de Oslo [1993], quando os árabes queriam ser parte do processo de igualdade...Houve esforços do Governo de Ytzhak Rabin nesse sentido, que as pessoas reconhecem.Houve esforços, mas o Estado de Israel continuou a ser um Estado judeu. A discriminação continuou em todas as esferas da vida. Houve uma ilusão de que o país teria chegado a uma suposta era pós-sionista depois de Rabin. E depois tudo colapsou com o assassinato de Rabin [1995], os governos de Benjamin Netanyahu [1996-1999] e Ehud Barak [1999-2000]. Toda essa ilusão se revelou como ilusão. Enquanto o Estado de Israel destacar a sua natureza judaica, sionista, não é possível falar de um verdadeiro, sólido, processo de igualdade [entre judeus e árabes em Israel]. Andará sempre aos altos e baixos, e em tempos de crise Israel ficará mais judeu e os árabes ficarão mais árabes em toda a parte, e Israel lidará com os palestinianos como se fossem inimigos e não cidadãos, como aconteceu no princípio desta Intifada. Muita gente fala da repressão policial de 2000, das 13 mortes como um momento de choque. A descoberta de que não eram verdadeiros cidadãos. É muito importante, claro, sou uma das pessoas acusadas de ter organizado os protestos. Foi muito significativo e construiu-se muito sobre isso, um levantamento da consciência das pessoas, politicamente. Mas não foi a primeira vez que as pessoas protestaram contra o Estado e não foi a primeira vez que a polícia abriu fogo. Em tempos de guerra, de crise política, os árabes em Israel são tratados como uma "quinta coluna", como o inimigo. Muitas pessoas dirão que os acontecimentos de 2000 as desiludiram. Outras dirão que vieram para a rua quando já estavam desiludidas com as políticas discriminatórias de Barak. O importante para mim em 2000 é que as pessoas vieram para rua por causa da questão palestiniana. O elemento espontâneo foi maior que o organizado. E depois, o governo era trabalhista e não Likud. Ou seja, um primeiro-ministro no qual eles tinham votado e sobre o qual tinham ilusões. Barak, em nome de quem o senhor desistiu de se candidatar [para concentrar votos e impedir uma vitória de Netanyahu].Sim. A questão é que em governos trabalhistas há um esforço da polícia, mais ainda que nos governos Likud, de serem brutais com os árabes. Todos os casos que temos de árabes mortos a tiros são durante governos trabalhistas. Há uma tendência em mostrar ao público judeu que quando se trata de questões políticas nacionais são mais mais duros, não fazem concessões. Barak deu ordens muito claras para que as ruas fossem abertas e eles dispararam em todas as direcções. Depois disso, vimos outra vez um declínio na consciência árabe. Por causa da perda de elementos nacionalistas no mundo árabe, da tentativa internacional de aceitar Sharon, especialmente depois do 11 de Setembro. E agora novamente há um desespero.No fim de tudo, a fonte do que aconteceu em 2000 continua a existir, a discriminação, a violência, o racismo, um Estado que se vê essencialmente como um Estado de judeus e não de todos os seus cidadãos. Desde 2000, ou seja, no governo de Sharon, que avaliação faz em relação a novas leis, orçamentos para as populações árabes, etc?Em todos os aspectos da vida houve um agravamento da discriminação. Que se tornou pior por este ser também um governo de austeridade, de cortes nos orçamentos. E os cortes afectam, geralmente, as faixas mais fracas e pobres da população, que são sobretudo árabes. Menos construção, menos projectos, mais desemprego. As povoações árabes já não têm agricultura porque a terra foi confiscada. E não se tornaram burguesas, têm assalariados. Em algumas há 30/40 por cento de desemprego. Amanhã Reportagem na Galileia, com os palestinianos de Israel&lt;br /&gt;Público 21OUT2005&lt;br /&gt;FIM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493771-115356935236493616?l=palestina-livre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palestina-livre.blogspot.com/feeds/115356935236493616/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493771&amp;postID=115356935236493616' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493771/posts/default/115356935236493616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493771/posts/default/115356935236493616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palestina-livre.blogspot.com/2006/07/enquanto-israel-for-um-estado-judaico.html' title=''/><author><name>PALESTINA LIVRE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04864582520008271863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493771.post-115356631995681889</id><published>2006-07-22T04:04:00.000-07:00</published><updated>2006-07-22T04:40:37.540-07:00</updated><title type='text'>-- Palestina Heróica</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493771-115356631995681889?l=palestina-livre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palestina-livre.blogspot.com/feeds/115356631995681889/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493771&amp;postID=115356631995681889' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493771/posts/default/115356631995681889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493771/posts/default/115356631995681889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palestina-livre.blogspot.com/2006/07/palestina-herica.html' title='-- Palestina Heróica'/><author><name>PALESTINA LIVRE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04864582520008271863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31493771.post-115404206000800994</id><published>2006-07-11T16:11:00.000-07:00</published><updated>2006-07-27T16:22:44.106-07:00</updated><title type='text'>-- ELEMENTOS PARA ENTENDER A CRISE LIBANESA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;26 DE JULHO DE 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Por Elias Jabbour * O mundo sente hoje a dor dos que morrem no “País do Cedro”. O cedro é a arvore símbolo, representada no centro da bandeira nacional do Líbano, assim conhecido desde o Velho Testamento, onde Salomão recita versos de glórias e bênçãos em homenagem àquela terra. Algumas informações sobre este passado milenar ajudam a entender a tragédia presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco de geografia&lt;br /&gt;A República Libanesa (nome oficial) é um país com uma área de apenas 10.400 km2 e uma população que de acordo com o senso de 2002 não passa de 3,8 milhões. País asiático do Oriente Médio tem toda sua costa banhada pelo Mar Mediterrâneo, faz fronteira com a Síria ao norte e ao leste. Ao sul faz fronteira com Israel. Sua população é composta em 80% por árabes libaneses, 17,5% por árabes sírios, os árabes palestinos são 1,5% do total e os curdos e armênios correspondem a 2% da população.&lt;br /&gt;Do ponto de vista físico, pode-se dividir o Líbano em quatro regiões principais: estreita planície costeira, planalto interior estreito e fértil, a cadeia montanhosa do Líbano e o Líbano ocidental. O pico Qurnat as Sawda com 3088 m. de altitude é o ponto mais alto do país. O clima de tipo mediterrâneo domina o país com chuvas anuais que variam de 920 mm. na costa a 2300 mm. nas montanhas Religiosamente o país é composto de 62,4% de muçulmanos divididos em xiitas (34%), sunitas (21,3%) e os druzos (7,1%). Os cristãos são 37,6% do total, sendo que os católicos romanos correspondem a 25,1%, os ortodoxos 11,7% e os protestantes 0,5%.&lt;br /&gt;A economia libanesa foi reconstruída após a guerra civil de 1975-1992. O Líbano possui um dos maiores padrões de vida do Oriente Médio. Com ajuda ocidental da ordem de US$ 15 bilhões, sua infra-estrutura foi refeita. O país voltou a ser um pólo turístico e financeiro da região e seus índices de crescimento nos últimos 10 anos têm registrado média de 5,5% ao ano. O PIB, segundo censo de 2003, é de US$19 bilhões, sendo que o turismo e o comércio correspondem a cerca de 60%, a agricultura (uvas, maçãs, tâmaras, etc.) a 20% e a indústria (basicamente têxtil) outros 20%. A moeda libanesa é a Libra.&lt;br /&gt;Os problemas sociais têm síntese nas várias favelas de Beirute, que surgiram como resultado do crescente êxodo rural – iniciado na década de 1950 - de muçulmanos xiitas e nas péssimas condições dos campos de refugiados. O Líbano foi o país que mais sofreu com a pressão demográfica no Oriente Médio. Está aí uma das receitas para a guerra motivada por diferenças religiosas: os cristãos, apesar de serem minoria foram os mais beneficiados na “divisão do bolo” econômico.&lt;br /&gt;Formação social, algumas observações&lt;br /&gt;O Líbano é uma das 15 nações modernas que correspondem aos Berços da Humanidade.&lt;br /&gt;Os fenícios, comerciantes feníticos de cultura marinha, foram os criadores do alfabeto que serviu de base para todas as línguas indo-européias. Foram também os criadores da navegação, fato comprovado pelo fato de terem “dobrado” o Cabo da Boa Esperança milhares de anos antes de Vasco da Gama. Foram também os construtores de Cartago, a grande rival de Roma. Existem sinais de uma possível passagem dos fenícios por território brasileiro através de escrituras e a constatação após escavações de uma série de escritos fenícios no Líbano com tinta extraída de pau-brasil, datando de 3 mil anos atrás.&lt;br /&gt;A localização geográfica viabilizou a transformação do Líbano em entreposto comercial entre o Império Romano e a Mesopotâmia. O país é cobiçado desde a antiguidade, quando foi invadido por hititas, persas e egípcios. Em 332 a.C., Alexandre o Grande conquistou-o mantendo o domínio grego até 63 a.C., quando se tornou província romana; em 395 d.C. passou a fazer parte do Império Bizantino. A história milenar de comércio transformou sua capital, Beirute, em centro financeiro do Oriente Médio. O Líbano é chamado de “a Suíça do mundo árabe”.&lt;br /&gt;A passagem de muitos povos pelo território libanês está marcada por vários monumentos de grande valor arqueológico, reconhecidos como patrimônio cultural da humanidade. O mais importante deles chama-se Baalbek: comporta um templo em homenagem ao deus Baco, onde estão localizadas as maiores colunas romanas de que se tem conhecimento.&lt;br /&gt;Ascensão e queda do poder otomano&lt;br /&gt;Entre 635 os árabes muçulmanos ocupam a região. São desalojados temporariamente pelas cruzadas cristãs (a quem se deve a presença cristã no país), com o apoio interno da parcela maronita da população. Os cristãos permaneceram no controle até serem expulsos pelos muçulmanos em 1291. Em 1516 o Líbano cai sob domínio do Império Otomano: os árabes no Brasil são chamados de “turcos” porque os documentos de muitos deles, expedidos até 1918, indicavam-nos como súditos do otomanos.&lt;br /&gt;O Império Otomano foi um dos maiores da história, porém como todos os poderes imperiais entrou em decadência, de 1800 a 1923. Derrotada na 1º Guerra Mundial, a Turquia perdeu o controle, mediante tratados, de mais de 80% de seu território incluindo o Líbano. Desde antes, com a guerra que travou contra a ocupação otomana entre 1860-61, os libaneses tinham status privilegiado, com uma espécie de auto-governo.&lt;br /&gt;Com o fim do domínio turco, o Oriente Médio foi perversamente partilhado entre a Rússia, Inglaterra e a França através da assinatura – em 1916 - do Acordo de Sykes-Picot. Por este tratado a Inglaterra recebia o controle da Mesopotâmia e dos portos de Haifa e Acre, ligados por uma zona de influência inglesa. A Rússia recebeu o noroeste de Anatólia e regiões da Armênia e Curdistão. Coube a França a ocupação do Líbano e a Síria.&lt;br /&gt;A independência libanesa foi conquistada em 1941 e autonomia plena em 1943. As tropas francesas só desocuparam o país em 1947, como parte da descolonização afro-asiática que ganhou força após a vitória da URSS e aliados na 2º Guerra Mundial.&lt;br /&gt;Política, religião e crises&lt;br /&gt;O sistema político libanês se baseia - até hoje - na distribuição confessional (religiosa) de cargos executivos e legislativos. Um acordo assinado em 1942, com base no censo de 1932, distribui esses cargos na proporção de seis cristãos para cinco muçulmanos. Ficou acordado que o presidente do país seria um cristão maronita, o primeiro-ministro muçulmano sunita e o chefe do legislativo um muçulmano xiita.&lt;br /&gt;A fundação do Estado de Israel, em 1948, e o êxodo palestino ao território libanês trouxeram consigo dois elementos: a crescente força demográfica muçulmana e a contestação da forma como o poder era distribuído no país. Contestação reforçada devido ao alinhamento externo dos cristãos maronitas ao lado ora de Israel, ora da Síria. As diferenças religiosas e étnicas são exacerbadas com a influência da Guerra Fria na política interna libanesa. Em 1958, o presidente maronita e pró-americano Camille Chamoun passa a ser o alvo principal de rebeliões muçulmanas inspiradas por regimes pró-soviéticos (Síria e Egito). O imperialismo norte-americano intervém com o desembarque de tropas no país; após protesto soviético, a crise é contornada com a substituição de Chamoun e a retirada das tropas dos EUA.&lt;br /&gt;A derrota árabe na Guerra dos Seis Dias (1967) e o massacre de palestinos na Jordânia (1970) no que se convencionou chamar de “Setembro Negro” levaram cerca de 300 mil palestinos a se refugiarem no Líbano. A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) instalou seu quartel-general em Beirute de onde coordenava ataques contra Israel. O equilíbrio interno de poder fora abalado, o que desembocou em uma guerra civil iniciada em abril de 1975: de um lado estava uma coalizão druzo-muçulmana apoiada pelos palestinos e de outro uma coalizão de direita composta por cristãos. O Exército Libanês fracionou-se em grupos rivais.&lt;br /&gt;Em 1976, a iminente vitória dos setores de esquerda levou a Síria a intervir no conflito, do lado dos cristãos. Porém o apoio de Israel a este grupo levou Damasco a mudar de lado, enquanto passava a dominar o território e as instituições políticas do Líbano.&lt;br /&gt;Desde 1998 o país é presidido pelo general Émile Lahoud, cristão maronita cujo pai foi um dos líderes da independência do país.&lt;br /&gt;Sabra e Chatila, crime contra a humanidade&lt;br /&gt;A primeira ofensiva israelense em território libanês ocorreu em 1978. Porém a mais contundente ocorreu em junho de 1982, sob o comando do então general criminoso de guerra Ariel Sharon.&lt;br /&gt;Israel expulsa o comando da OLP de Beirute. A 16 de setembro, com a autorização e coberturas israelenses, milícias cristãs comandadas pelo testa-de-ferro do imperialismo Eli Hobeika (morto em atentado no início de 2002, após declarar que, caso fosse julgado pelo massacre, iria incriminar Sharon como mandante da chamada operação “Cérebro de Ferro”) invadem os campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila assasinando 3.500 pessoas (segundo fontes, nem os animais foram poupados), em resposta ao assassinato do então presidente libanês, o cristão Bachir Gemayel.&lt;br /&gt;Fopi um crime contra a humanidade. As tropas do Estado de Israel colaboraram impedindo a fuga de moradores dos dois campos de refugiados.&lt;br /&gt;Em seguida, Israel retirou-se para a chamada “zona de segurança” localizada ao longo de uma faixa de 20 quilômetros na fronteira sul do Líbano. Ali formou sob sua supervisão o Exército do Sul do Líbano, composto por cristãos.&lt;br /&gt;A benéfica presença síria e a trama do imperialismo&lt;br /&gt;O controle sírio sobre o Líbano deve ser visto de alguns ângulos. Um é a multi-secular existência da nação libanesa, que não é uma anomalia geopolítica do tipo Israel ou Taiwan. Outro é a luta antiimperialista em escala mundial percebendo; ao obrigar a saída da Síria do território libanês, o imperialismo impõs em Beirute um governo influenciado por sua política. Inclusive abrindo uma condição objetiva concreta para que Israel partisse para o ataque direto ao Hezbolá sem maiores envolvimentos da Síria.&lt;br /&gt;São conhecidas as ligações dos EUA com o ex-primeiro-ministro libanês Hafik Hariri (assassinado – suspeita-se que pela CIA – em fevereiro de 2005, como forma de utilizar a Síria como bode espiatório).&lt;br /&gt;Ao contrário do que veiculam os defensores da “democracia”, dos “direitos humanos” e da “liberdade de expressão”, a Síria teve papel positivo na sobrevivência do Estado libanês e é levando em conta esta constatação que se deve entender a questão nacional libanesa. O Líbano paraticamente está proibido de aparelhar um exército, por imposição da “única democracia do Oriente Médio”, Israel. O reerguimento libanês após 1992 não teria sido posível sem a Síria, que por três décadas defendeu as fronteiras do país e foi a responsável pelo desarmamento das milícias (menos o Hezbolá, o que é compreensível), patrocinando um acordo de paz no mesmo ano de 1992.&lt;br /&gt;A atual desestabilização do Líbano é expressão da presença americana no Iraque e das constantes ameaças à Síria, seguidas da morte misteriosa de Hafik Hariri. Há uma trama entre o imperialismo norte-americano e o sionismo para desmantelar a soberania libanesa em nome da “guerra infinita contra o terrorismo” e da difusão de valores ocidentais em uma região de cultura, hábitos, escrita e valores humanistas vários milênios mais antigos que o American Way of Life.&lt;br /&gt;Ignorância e bárbarie&lt;br /&gt;O Ocidente recusa-se a tomar conhecimento dessas contribuições. Em The evolution of Geography, Emille de Martonne demonstra o papel de geógrafos árabes (Ibn Khaldoun e Ibn Bathouta) como ponte entre as geografias antiga e moderna. Um dos pais da geografia francesa, J. Brunhes, a partir da comparação entre os sistemas de irrigação na Península Ibérica e do norte da África, chegou à conclusão que os árabes foram essenciais na difusão de sistemas de irrigação.&lt;br /&gt;A ignorância toma ares de barbárie, como visto após a invasão do Iraque com o saque ao Museu Nacional de Bagdá, onde estavam instaladas mais de 4 mil peças que remontam à civilização mesopotamica, e na facilidade com que bombas caem sobre cidades libanesas matando crianças e velhos.&lt;br /&gt;E a ONU?&lt;br /&gt;E o papel da ONU ante a investida judia em território libanês? Será que o Tratado de Genebra será usado contra os agressores da nação e do povo libaneses? Ou assistiremos a mais uma omissão deste organismo internacional que cada vez mais justifica a razão de ter sua sede em Nova York?&lt;br /&gt;* Assessor econômico da presidência da Câmara dos Deputados (Brasília/DF), doutorando e mestre em Geografia Humana pela FFLCH-USP, autor de “China: infra-estruturas e crescimento econômico” (Anita Garibaldi, 2006)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31493771-115404206000800994?l=palestina-livre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palestina-livre.blogspot.com/feeds/115404206000800994/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31493771&amp;postID=115404206000800994' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493771/posts/default/115404206000800994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31493771/posts/default/115404206000800994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palestina-livre.blogspot.com/2006/07/elementos-para-entender-crise-libanesa.html' title='-- ELEMENTOS PARA ENTENDER A CRISE LIBANESA'/><author><name>PALESTINA LIVRE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04864582520008271863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
